Conteúdo desenvolvido por Milenko Schiavetti Basilio Kovacevic em 2022 a partir do livro Brealey, R. A.; Stewart, C. M.; Allen, F. (2016). Princípios de Finanças Corporativas. Porto Alegre: Editora AMGH.
Técnicas de gestão de finanças corporativas (parte I)
Há uma série de técnicas que podem ser usadas ao tomar um número significativo de diferentes decisões financeiras no campo das finanças corporativas. Entre elas, as seguintes técnicas são da maior importância:
Valor do dinheiro no tempo - é um meio de gestão financeira corporativa cujo conceito se baseia no fato de que os fluxos de caixa gerados em diferentes períodos de tempo expressam valores diferentes, portanto, devem ser reduzidos ao valor do mesmo período de tempo para serem coletados e comparados.
Análise das demonstrações financeiras - é uma ferramenta utilizada como condição necessária para a tomada de decisões certas na área de finanças corporativas.
Risco e retorno - são um dos meios básicos de gestão financeira corporativa, onde o risco é a probabilidade de um evento adverso, e está relacionado ao chamado. “Risco de investimento”.
As demonstrações financeiras da empresa são um produto direto do sistema de relato financeiro, que em sua essência e finalidade reflete o desempenho (realização) da empresa por um determinado período de tempo. O objetivo principal de sua compilação é fornecer informações a vários stakeholders que dependem deles no processo de tomada de decisões importantes.
O relato financeiro é especialmente importante com o surgimento de empresas corporativas e o desenvolvimento dos mercados de capitais, dada a necessidade de fornecer informações utilizadas para acionistas (atuais e potenciais), credores e outros usuários no processo de tomada de decisão.
Sem informações adequadas com base nas demonstrações financeiras não poderia ser avaliada a capacidade da empresa de gerar fluxos de caixa positivos nem a aceitabilidade das oportunidades de investimento e os riscos pertinentes.
As informações das demonstrações financeiras permitem uma melhor avaliação do risco atual relacionado às decisões sobre a própria carteira de títulos. Ao fazê-lo, a informação é particularmente importante para considerar o seguinte:
As demonstrações financeiras são preparadas para atender às necessidades gerais da maioria dos usuários. Para esses fins, a contabilidade produz os seguintes relatórios:
As demonstrações financeiras são a melhor fonte de informação sobre a saúde financeira de uma empresa e suas perspectivas.
Os objetivos da análise financeira podem ser divididos em gerais e específicos (parciais).
Objetivos gerais da análise financeira - incluir o exame e avaliação da situação financeira da empresa e a mensuração do retorno do capital investido, bem como a prestação de informações relevantes a usuários específicos.
Objetivos específicos (parciais) de análise financeira - são determinados, em primeiro lugar, pelos interesses e exigências de certos usuários “internos” e “externos” de relatórios financeiros analíticos (que surgem como resultado da análise financeira).
Os objetivos específicos da análise financeira, na vertente dos utilizadores internos das demonstrações financeiras analíticas, são essencialmente fornecer informação adequada aos órgãos competentes da empresa (normalmente a direção) para as suas necessidades de análise, controle, planejamento e tomada de decisão. Do ponto de vista dos usuários externos de relatórios financeiros analíticos, tais objetivos são determinados pelos requisitos específicos de usuários específicos (proprietários de capital, credores, órgãos governamentais, câmaras de comércio e associações empresariais, auditores externos, publicações especializadas).
Partindo do tema da análise financeira, ou seja, o fato de se tratar de pesquisa e quantificação das relações funcionais existentes entre as rubricas do balanço, a fim de fornecer uma avaliação confiável da situação financeira da empresa, há a necessidade de apresentar critérios básicos que determinam diferentes tipos de análise financeira.
De forma análoga, é possível diferenciar vários critérios chaves que determinam a existência de vários tipos de análise financeira. Esses critérios são:
A análise de índices é um produto de várias demonstrações financeiras, e sua importância se reflete principalmente no fato de sintetizar os principais relacionamentos e resultados que indicam o desempenho financeiro da empresa. Essa análise é um meio prático de controle no processo de gestão das finanças da empresa, pois possibilita, entre outros:
Relacionando os itens do balanço uns aos outros, ou alguns parâmetros financeiros com outros, é possível ver certos aspectos financeiros das operações da empresa, o que é de fato a essência básica da análise do índice.
A determinação dos indicadores financeiros (“Ratio Numbers”) tem como objetivo principal auxiliar a administração da empresa no planejamento, controle e tomada de decisões. O resultado é a existência dos “Rácios universais” que são calculados e monitorizados em todas as empresas independentemente do tipo de atividade.
Ratio Numbers
Os Ratio Numbers representam as proporções de um item do balanço patrimonial para outro, expressos em uma fórmula matemática simples. Essas relações são usadas para avaliar a posição financeira da empresa, bem como para avaliar a gestão da empresa.
Dependendo da sua utilidade, todos os Ratio Numbers podem ser classificados em vários grupos resumidos de indicadores financeiros. Para fins de análise financeira, os seguintes grupos, extraídos do balanço, são mais frequentemente utilizados:
Os indicadores financeiros (rácios) das atividades incluem todas as relações relevantes entre receitas e despesas, por um lado, e investimentos individuais e totais, por outro, que na literatura profissional são denominados "rácios de giro" dos ativos empresariais.
O número específico de coeficientes de atividade depende do que se deseja incluir na análise das atividades. No entanto, na prática, os seguintes índices de rotatividade são mais usados:
Existem diferentes interpretações do conceito de liquidez na literatura profissional. No entanto, a liquidez é mais frequentemente definida como “a capacidade de uma empresa cumprir suas obrigações com os credores em tempo hábil”. A liquidez assim entendida inclui três elementos básicos, são eles:
Para alcançar e manter a liquidez da empresa, esses elementos devem ser consistentes no tempo e no valor. Isto significa que o montante dos fundos disponíveis deve ser igual ao montante das responsabilidades na data do seu vencimento. Em outras palavras, para uma empresa ser líquida, deve haver um equilíbrio financeiro entre caixa disponível e passivos vencidos, o que de fato significa que a liquidez é uma condição financeira da empresa onde há um equilíbrio entre entradas de caixa e passivos vencidos.
A liquidez é um dos princípios básicos da política financeira da empresa, sendo determinada predominantemente por diversos fatores, tais como:
Em geral, a análise de liquidez é realizada por meio de índices denominados “rácios de liquidez”. Ao fazer isso, a liquidez pode ser vista como:
Existem diferentes interpretações do termo “solvência” na literatura. No entanto, a solvência é mais frequentemente definida como a capacidade de uma empresa cumprir todos os seus passivos com ativos totais, assumindo que todos eles vencem ao mesmo tempo.
Assim sendo, solvência significa uma situação em que o total de ativos da empresa é igual ou superior ao total de fontes de recursos, observada em um determinado intervalo de tempo. Se o total de ativos da empresa for menor que o total de fontes de recursos, então a empresa está insolvente.
Na prática, a insolvência de uma empresa resulta, na maioria das vezes, do seu elevado sobreendividamento. Portanto, para não cair em insolvência, a empresa deve analisar seu endividamento em intervalos curtos.
O endividamento da empresa é medido pelo índice de recursos próprios e de outras fontes. Ao mesmo tempo, a regra geralmente aceita é que a proporção entre as fontes de fundos próprias e de outras pessoas deve ser de 1: 1.
São técnicas de gestão de finanças corporativas:
As demonstrações financeiras permitem avaliar:
Em 28.12.07, foi promulgada a Lei no 11.638/07, que altera, revoga e introduz novos dispositivos à Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404, de 15.12.76), destacadamente em relação ao capítulo XV, que trata de matéria contábil.
É importante assinalar que algumas empresas são obrigadas a divulgar publicamente suas demonstrações financeiras, entre as quais destacamos as Companhias Abertas (que têm suas ações negociadas em Bolsa de Valores e registro na CVM) e as instituições financeiras.
Vale destacar ainda que:
A companhia fechada com patrimônio líquido inferior, na data do balanço, a R$ 2.000.000,00, não será obrigada a publicação da DFC.
A Lei no 11638/2007 (art. 3º) determinou que se aplicam às sociedades de grande porte (assim entendidas aquelas que individualmente ou sob controle comum tenham ativo total superior a R$ 240 milhões ou receita bruta superior a R$ 300 milhões) as disposições da Lei no 6404, sobre escrituração e elaboração de demonstrações financeiras e obrigatoriedade de auditoria independente por auditor registrado na CVM. Posteriormente, foi promulgada a Lei 11941.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Brealey, R. A.; Stewart, C. M.; Allen, F. (2016). Princípios de Finanças Corporativas. Porto Alegre: Editora AMGH.
PRINCÍPIOS DE FINANÇAS CORPORATIVAS - ACF611 - 1.3
Técnicas de gestão de finanças corporativas (parte I)
Imagens: shutterstock

LIVRO DE REFERÊNCIA
Brealey, R. A.; Stewart, C. M.; Allen, F. (2016).
Princípios de Finanças Corporativas.
Porto Alegre: Editora AMGH.